Postagens

Cineclube Sganzerla apresenta: Carnaval na Lama

Imagem
O Cineclube Sganzerla apresentará ciclo de filmes brasileiros ambientados durante a temporada carnavalesca a fim de investigar afinidades e disparidades entre chanchadas e produções do Cinema Marginal. Carnaval na Lama colocará em perspectiva títulos de cineastas como Carlos Manga, Rogério Sganzerla, Júlio Bressane, entre outros. Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet, nos domingos dias 21 e 28 de junho e 5 de julho. Clique aqui e inscreva-se para participar . Leia abaixo o texto de apresentação da curadoria: Carnaval na Lama Por Luiz Brasil Estou buscando aquilo que o povo brasileiro espera de nós desde a chanchada: fazer do cinema brasileiro o pior do mundo - Rogério Sganzerla, 1970. Enquanto estava em atividade, a companhia Atlântida Cinematográfica (1943-1962), sediada na cidade do Rio de Janeiro, realizou inúmeras comédias musicais, trazendo o carnaval para o cinema, em obras como Carnaval no fogo (1949), Carnaval em Marte (1955) e Carnaval Atlântida (1953). O ...

Cineclube Sganzerla apresenta: Sem origem, muitos destinos

Imagem
O Cineclube Sganzerla colocará em perspectiva as obras dos cineastas Howard Hawks e Michael Mann em ciclo de filmes que examina a motivação humana. A programação, intitulada Sem origem, muitos destinos , questiona o que leva as personagens a agirem, ao mesmo tempo em que aprecia a maneira como elas se movem em direção aos seus propósitos. Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet, entre os dias 29 de março e 12 de abril. Clique aqui e inscreva-se para participar. Leia abaixo o texto de apresentação da curadoria: Sem origem, muitos destinos Por André Ramos Apesar das diferenças de tempos e de formas, alguns cineastas parecem se colocar as mesmas perguntas: o que move os homens? Não só uma pergunta com relação à sua motivação, como também relativo ao seu aspecto físico. Hawks pergunta e a responde de forma musical: os seus personagens que entram e saem de quadro, a tentativa incessante de restituir o orgânico ao fabricado. Mann mais pergunta do que responde: a contraposição...

Coração de Caçador

Imagem
por Thierry Méranger Se Coração de Caçador é frequentemente considerado um filme à parte na grande obra eastwoodiana, é preciso reconhecer que, apesar das aparências, a singularidade do título em competição em Cannes, em 1990, não se deve tanto ao fato de se afastar dos caminhos estadunidenses mais batidos (será a única incursão africana do cineasta até Invictus ), nem ao improvável sotaque inglês que o ator-diretor adota aqui pela única vez em sua carreira. O 14º longa-metragem do cineasta é, de fato, antes de tudo — e provavelmente continuará sendo — seu único meta-filme . Sabe-se o quanto este projeto de ficção sobre uma filmagem lhe era caro: para poder adaptar o romance biográfico do roteirista Peter Viertel, que descrevia a sua própria experiência nas filmagens de Uma Aventura na África , de John Huston (1951), Eastwood teve de se vender mais uma vez e comprometer-se com a Warner a realizar, em seguida, um buddy cop movie medíocre, Rookie: Um Profissional do Perigo , pelo qual ...

Cineclube Sganzerla apresenta: Tocaias no Asfalto — Parte 1

Imagem
Entre a rotina de assassinos de aluguel, missões secretas conduzidas por agentes internacionais, perseguições entre policiais e ladrões e a busca impossível por redenção, a primeira parte do ciclo  Tocaias no Asfalto , apresentado pelo  Cineclube Sganzerla  entre os dias 14 e 21 de dezembro, dedica-se ao cinema de ação como gesto,  mise-en-scène  e pulsação contemporânea. Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet, nos domingos 14 e 21 de dezembro, a partir das 16h.  Clique aqui e inscreva-se para participar. Em comemoração aos dois anos de atividade do cineclube, esta seleção reúne quatro filmes que atravessam diferentes geografias do gênero — da frieza calculada de Berlim ao glamour tautológico do 007, da elegância barroca japonesa à moral trágica de Hong Kong. Assinado coletivamente pela curadoria do  Cineclube Sganzerla , o programa traz obras de Thomas Arslan, Martin Campbell, Kinji Fukasaku e John Woo. A seguir, a folha de aprese...

Joan Bennett, a “coisa embrulhada em celofane”

Imagem
Por Christian Viviani. Joan Bennett não foi uma estrela. Mas se podemos ler sua carreira como uma série de encontros perdidos com o verdadeiro sucesso público, ela foi, em certo sentido, mais do que uma simples estrela: uma epifania fulgurante, que o sucesso popular desprezou, mas que alguns dos maiores cineastas europeus de Hollywood conseguiram milagrosamente capturar em sua trajetória. Nascida em 1910, estreando no cinema em 1928, Joan Bennett vem de uma família de atores. Seu pai é o célebre e excêntrico Richard Bennett, que Orson Welles transformou no patriarca Amberson. Suas irmãs são a brilhante e espirituosa Constance, a primeira heroína de Cukor, e a mais obscura Barbara. Joan surge a princípio como uma versão mais popular da sofisticada e mundana Constance: a mesma loira espumosa alisada com brilhantina, o mesmo perfil delicioso, a mesma silhueta impecável. No entanto, Joan não aposta na ostentação do figurino ou na alusão assassina. Sua aparência refinada, quase virginal, el...

Cineclube Sganzerla apresenta: Qual a Cor da Mentira?

Imagem
Entre os dias 19 de outubro e 2 de novembro, o Cineclube Sganzerla apresentará ciclo de filmes cujas narrativas, que giram em torno do casamento, ressaltam a especificidade do cinema em espelhar as zonas acinzentadas do que é verdadeiro. A programação, intitulada Qual a Cor da Mentira? , é composta por títulos de cineastas como Claude Chabrol e Rainer Werner Fassbinder, além de uma sessão dupla dedicada a Joan Bennett, atriz de Fritz Lang, mas também de Jean Renoir. Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet, nos domingos 19 e 26 de outubro e 2 de novembro, a partir das 16h. Clique aqui e inscreva-se para participar . Leia abaixo o texto de apresentação da curadoria: Qual a Cor da Mentira? Por Ezequiel Silva. Depois de Jean-Luc Godard afirmar que o cinema é a verdade 24 vezes por segundo, o cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder teria dito que o cinema é a mentira 24 quadros por segundo. Não se trata de escolher entre um e outro, de descobrir quem está certo ou errado, m...

Violência e silêncio em Killer of Sheep (1978)

Imagem
Eu vou começar este comentário pelo começo, para não correr o risco de me perder. Na primeira cena de Killer of Sheep , vê-se representada uma certa brutalidade masculina no modo como o pai coloca o filho contra a parede, intimando-o, dizendo ao garoto que ele deve resolver os problemas com agressão, ou seja, na base da força. Em seguida, tem-se uma sequência na qual crianças, até onde pude ver majoritariamente meninos, arremessam pedras uns contra os outros, esbofeteiam-se e rolam no chão como se estivessem travando uma batalha. A lógica impressa pela montagem me é bastante direta: eles, os filhos, ouviram os pais. Não se confunda, leitor: os sujeitos estão todos no masculino. Abre-se, a partir daí, uma chave de leitura possível para o longa-metragem de Charles Burnett, cuja atenção se volta à maneira como as diferentes formas de violência, perpetradas contra o coletivo que é registrado, serão, enfim, reproduzidas. Se o comportamento das crianças é reflexo do comportamento dos pais, p...

Cineclube Sganzerla apresenta: A Conversa Invisível

Imagem
O Cineclube Sganzerla apresentará entre os dias 17 e 31 de agosto um ciclo de filmes sobre intimidade negra. A programação, intitulada A Conversa Invisível , propõe um diálogo acerca da memória e um passeio no território do afeto em cinematografias de cineastas como Charles Burnett, Edward Owens, Isaac Julien, Kathleen Collins, entre outros. Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet nos domingos dias 17, 24 e 31, a partir das 16h. Clique aqui e inscreva-se para participar .  Leia abaixo o texto de apresentação da curadoria: A Conversa Invisível Por Misael. Há gestos que o mundo não ensina a ver. Há palavras que só se pronunciam com os olhos, com o toque, ou com um silêncio partilhado. Este ciclo de filmes — de Edward Owens a Charles Burnett, de Isaac Julien a Kathleen Collins — compõe uma travessia pela intimidade negra como prática de invenção e resistência. São retratos de relações amorosas, de vínculos familiares e de encontros consigo mesmo, onde a câmera não busca...

Notas sobre Twin Peaks: The Return

Imagem
  A incandescente destruição Twin Peaks: The Return, ep. 8, 2017 Por Philippe Fauvel. Uma explosão atômica, o efeito corona de um campo elétrico, fluxos e chiados aliados à intensidade da música de Krzysztof Penderecki, Trenodia às Vítimas de Hiroshima . Em 16 de julho de 1945, no parque White Sands, em Novo México, ocorreu um teste de explosão nuclear. Nós avançamos sobre o cogumelo atômico, o penetramos. O casamento Penderecki-Lynch é aterrorizante, absolutamente trágico. Surge então um feixe de estilhaços em preto e branco, a imagem e o som ressoam mutuamente: as notas sustentadas, seus estridentes e os agudos de todas as cordas riscam a tela. Como gritos num desenho, como arranhões sonoros. Um fundo de grafite insondável e essas nitescências em negativo, e toda a dor do mundo que devasta a alma. Os seres maléficos com rostos carbonizados que povoam a terceira temporada, essas pequenas mãozinhas de lenhadores que se intrometem e fazem o trabalho sujo, explodem crânios ou mancham...

Acerca de A Marca da Forca (1968)

Imagem
A Marca da Forca ( Hang ‘Em High , 1968) pode não ser um filme tão bem resolvido — o que passa tanto pela direção de Ted Post quanto pelo trabalho dos roteiristas Leonard Freeman e Mel Goldberg, que, até onde pude ver, não tiveram uma carreira expressiva em Hollywood. Todavia, também por se tratar de um dos primeiros, senão o primeiro, faroeste protagonizado por Clint Eastwood depois da experiência na Itália com a célebre trilogia de faroestes espaguetes de Sergio Leone, algumas questões a respeito do gênero e da persona construída por Eastwood impõem-se no relevo desse campo ainda tão arredio. Eu estava comentando com um amigo, dias atrás, como a obra de Clint enquanto diretor gira em torno das sombras. A estética não explora tão somente o contraste expressionista dos cenários, como também as veias do rosto embrutecido pelo tempo, suscitando assim a carga e o peso dramático acumulados ao longo dos anos como ator — muitas vezes, e talvez mais intensamente, em seus próprios projetos¹....

Cineclube Sganzerla apresenta: Não Mais Haveremos de Suportar

Imagem
O  Cineclube Sganzerla  apresentará entre os dias 1º e 8 de junho o ciclo Não Mais Haveremos de Suportar , o qual coloca em perspectiva o conceito de gnose com cinematografias de cineastas como Christopher Maclaine, Jack Chambers, Robert Aldrich e Stan Brakhage.  Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet nos domingos dias 1º e 8, a partir das 16h.  Clique aqui e inscreva-se para participar . Leia abaixo o texto de apresentação da curadoria: Por Giovanni Silveira. A gnose, neste contexto, é compreendida a partir de um recorte específico: a realidade permanece como uma prisão — frágil e imperfeita — e, para excedê-la, é necessário buscar uma certa luz. Os bilhões de átomos que constituem a percepção e a matéria já não correspondem plenamente aos significados que lhes são atribuídos pela linguagem. Eles excedem os limites da consciência que temos deles e são feitos de armadilhas. A esses filmes cabe, portanto, aceitar, buscar ou recusar a centelha de ...

Cineclube Sganzerla apresenta: Quem te fala é uma morta

Imagem
Vídeo por Marcos Carvalho. O  Cineclube Sganzerla  apresentará entre os dias 20 e 27 de abril um ciclo de filmes com o propósito de revisitar diferentes i maginários cinematográficos sobre fantasmas . As figuras reunidas no programa   Quem te fala é uma morta  habitam obras que compartilham do mesmo  registro melodramático marcado por amores insuperáveis e crimes irresolutos.  Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet nos domingos dias 20 e 27, a partir das 16h.  Clique aqui e inscreva-se para participar . Leia abaixo o texto de apresentação da curadoria: Quem te fala é uma morta Por Luiz Brasil. “Herculano, quem te fala é uma morta. Eu morri. Me matei”, assim se apresenta Geni ao seu esposo e aos espectadores, através de uma gravação de voz. A partir desta voz fantasmagórica seremos apresentados a trama de Toda Nudez Será Castigada (1965) de Nelson Rodrigues, que nos revelará o motivo de seu suicídio. Para o dramaturgo carioca o tema não ...

Cineclube Sganzerla apresenta: Cinema. Trabalho.

Imagem
  Vídeo por Marcos Carvalho. O Cineclube Sganzerla apresentará entre os dias 9 e 23 de março um ciclo de filmes a propósito da relação entre o cinema e o trabalho. A programação, intitulada Cinema. Trabalho. , coloca em perspectiva obras de cineastas como John Ford, Peter Nestler, Vittorio De Seta, Pedro Costa,  Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet nos domingos dias 9 e 23, a partir das 16h. Clique aqui e inscreva-se para participar . Leia abaixo o texto de apresentação da curadoria: Cinema. Trabalho. Por Ezequiel Silva. Da saída um tanto quanto mecânica dos operários da fábrica Lumière, registrada pelo cinematógrafo dos pioneiros Auguste e Louis, passando pelas greves e pelos motins arquitetados por Eisenstein, os quais transformaram a práxis cinematográfica soviética em uma verdadeira escola de montagem, chegaríamos à conclusão de que o trabalho sempre animou o cinema? Não poderia ser diferente, tratando-se da expressão...

PREMINGER (Otto)

Imagem
Por Jean Wagner. Isso foi na época em que Preminger ainda não estava envolvido com as grandes máquinas: ele realizou filmes que passaram praticamente despercebidos e a produção americana não daria muita importância a esse diretor que, infelizmente, sabia o que queria. Se pelo menos Preminger tivesse continuado a ser o homem sensível de O Rio das Almas Perdidas . Se ele pudesse conservar aquele senso de vibração que ainda encontramos intacto em Exodus , mas que, depois disso, desapareceu completamente. A fascinação premingeriana que foi a fonte de tantos elogios jamais foi tão evidente quanto nessas crônicas agridoces, nessas longas e lentas marchas de um homem para uma mulher ou de uma mulher para um homem, Laura , Alma em Pânico , O Rio das Almas Perdidas , Bom dia, tristeza . O Rio das Almas Perdidas é a maravilhosa combinação química de Robert Mitchum, Marilyn Monroe e o rio que não cessa de ritmar esse romance aveludado. O rio que, na época, assumiu uma nova dimensão graças ao for...