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Cineclube Sganzerla apresenta: Cinema. Trabalho.

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  Vídeo por Marcos Carvalho. O Cineclube Sganzerla apresentará entre os dias 9 e 23 de março um ciclo de filmes a propósito da relação entre o cinema e o trabalho. A programação, intitulada Cinema. Trabalho. , coloca em perspectiva obras de cineastas como John Ford, Peter Nestler, Vittorio De Seta, Pedro Costa,  Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet nos domingos dias 9 e 23, a partir das 16h. Clique aqui e inscreva-se para participar . Leia abaixo o texto de apresentação da curadoria: Cinema. Trabalho. Por Ezequiel Silva. Da saída um tanto quanto mecânica dos operários da fábrica Lumière, registrada pelo cinematógrafo dos pioneiros Auguste e Louis, passando pelas greves e pelos motins arquitetados por Eisenstein, os quais transformaram a práxis cinematográfica soviética em uma verdadeira escola de montagem, chegaríamos à conclusão de que o trabalho sempre animou o cinema? Não poderia ser diferente, tratando-se da expressão...

Em frente, à vastidão

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Por Patrick Holzapfel. It’s just a place . A place can be crossed . (Gregory Peck como “Stretch” Dawson em Yellow Sky de William A. Wellman) 1 Aqueles que tendem a se perder na floresta são frequentemente aconselhados a seguir em frente em uma única direção. Em algum momento, a floresta tem que acabar. Isso pode ser verdade. Mas também é fato que: se você continuar adiante, em algum momento terá andado em círculos e acabará voltando para a floresta. Isso sem falar em tudo o que precisa ser removido do caminho (batido, chutado, arrancado) para que seja possível avançar (dirigir, voar) em linha reta. Ninguém deveria dizer que as linhas mais retas possíveis entre dois pontos são apenas uma construção mental. Nós a encontramos em todos os lugares, ela está sujeita aos princípios de simplificação, conveniência e aceleração. O cinema, como o conhecemos, é uma arte que vai em frente. Isso significa: olhamos para a frente, um filme passa em linha reta (avançando ou raramente recuando, mas...

Sniper Americano (2014) | Da doença de uma nação

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Pode levar um tempo para compreendermos que se trata menos do destino, ou do nascimento, do que da doença de uma nação. Ao menos para o redator que aqui escreve foi necessário meditar para finalmente enxergar a meditação a respeito dos efeitos sobre os indivíduos e os coletivos atingidos direta e indiretamente por essa mazela. São eles: os soldados, as famílias, enfim, os tidos como inimigos. Estamos diante sobretudo de uma reflexão das sequelas no protagonista, este típico homem eastwoodiano, como tão bem descreveu Luiz Carlos de Oliveira Jr.. Eu tenho tentado rever alguns filmes nos últimos meses e, com certeza, a revisão de Sniper Americano (2014) foi a mais bem-vinda desde então. Há oito anos, quando o assisti pela primeira vez no início da minha cinefilia, estava com os olhos fechados para tanta coisa exceto o boneco cenográfico. Hoje, depois de revê-lo, ousaria dizer que é a mais complexa das quatro cinebiografias sobre estes (extra)ordinários heróis norte-americanos realizadas ...

Paixão dos Fortes (1946) | Um certo tipo de forasteiro

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Dos diversos arquétipos que permeiam o cinema faroeste, talvez a figura do forasteiro seja a mais explorada. Fernando Simão Vugman vai chamá-lo de  westerner , um mediador entre a natureza e a cultura; um homem que adentra no seio da comunidade para organizá-la, ainda que esteja sempre em conflito com os códigos e as regras da civilização. Um dos melhores exemplos desse tipo é o Wyatt Earp interpretado por Henry Fonda em  Paixão dos Fortes  (1946) – outro filme de John Ford que trago à baila neste espaço. Quando o vemos pela primeira vez, manejando uma boiada aos pés do Monument Valley, Wyatt Earp encontra-se um tanto quanto empoeirado e com a barba por fazer. Ele troca algumas palavras com os Clantons, ação registrada por um plano levemente inclinado que enquadra o rosto do vaqueiro – o qual, descobriremos mais tarde, abandonou o posto de xerife em Dodge City para se dedicar aos negócios da família. Ainda não sabemos tudo – nunca vamos saber tudo, aliás –, mas o importan...

No Tempo das Diligências (1939) – Filme do tempo, gênero do espaço

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Sem demora, de maneira estritamente objetiva, os protagonistas de alguns dos conflitos mais caros do cinema faroeste são introduzidos. Por trás dos créditos iniciais deste filme – os quais exibem o título   Stagecoach , antes do letreiro   Directed by John Ford   –, podemos avistar a diligência, a cavalaria e os índios, bem como a natureza desértica da terra que lhes pertence.  Em menos de dois minutos, os contornos destes corpos fotografados em preto e branco despertam no espectador a imagem e a lembrança de temas recorrentes do gênero cinematográfico, sejam históricos – fundamentados por pioneiros como D. W. Griffith e Thomas H. Ince, mas também pelo próprio John Ford ( O Cavalo de Ferro , 1924) – ou mitológicos – estabelecidos por figuras como William S. Hart e Tom Mix, mas também pelo longa-metragem que assistiremos.  Trata-se do clássico  No Tempo das Diligências  (1939), uma das obras que resgatou o prestígio dos filmes de faroeste no amanhecer d...