Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Jacques Tourneur

The Leopard Man (1943) | O temor da escuridão

Imagem
As personagens nos filmes de Tourneur, muitas vezes, são movidas por forças maiores do que elas próprias. Livres em suas amarras ou presas em suas liberdades, como distinguiu Chris Fujiwara, figuras, especialmente as femininas, persistem ao avançar das ações que não raras vezes as colocará diante de abismos ou na presença de sombras. Como aqui em The Leopard Man (1943). Nunca antes o ritmo deste cineasta foi tão acelerado, sobretudo quando comparamos o filme com os outros dois realizados pelo diretor em parceria com o produtor Val Lewton. No desenrolar da trama de investigação criminal e mistério, com astúcia, Tourneur salta de personagem a personagem costurando o traiçoeiro vestido do universo fílmico.  O desprendimento da narrativa com as vítimas, o qual antecipa Alfred Hitchcock em Psycho (1960), nada mais é do que a extensão do que o cineasta havia feito a partir da primeira meia-hora de I Walked With a Zombie (1943). Não concerne ao diretor o eventual e mero choque da desco...

Tourneur, entre o terror e o admirável

Imagem
Como expressar a beleza dos filmes de Jacques Tourneur para aqueles que ainda não experimentaram o poder encantador deles? São filmes discretos, que nos falam com um tom confidencial. No entanto, eles mantêm um brilho hipnótico muito tempo depois que suas reviravoltas desaparecem de nossas memórias. Talvez porque a ambição secreta do contador de histórias fosse imensa: nos pegar pela mão e nos conduzir até o limiar do além-mundo. Nos limites do indizível. O que ele esperava de sua arte: nada menos do que sugerir o invisível. Nascido e falecido na França, alimentado pela cultura francesa, Tourneur fez a maior parte de sua carreira nos Estados Unidos. Mas sua obra é muito fascinada pelo desconhecido e pela ambiguidade para não transbordar as duas culturas. Ela desafia a tradição cartesiana: o real é muito complexo para ser apreendido e, mais ainda, explicado racionalmente. E ela ignora o moralismo anglo-saxão: a avaliação moral dos atos é tão aleatória que desencoraja qualquer maniqueísm...

No que toca I Walked With a Zombie (1943) e Tabu (1931)

Imagem
A continuidade da depuração estética empreendida por Tourneur chegará ao extremo por meio das mais inexpressivas formas, mediante os mais irresolutos conflitos interiores. Na última sessão do CineClube Sganzerla, comentamos a respeito dos aspectos formais de Tabu (1931), sobretudo do nível de expressividade e maturação o qual a linguagem do cinema de Murnau havia alcançado àquela altura do campeonato. O cineasta alemão, advindo da escola expressionista, em seu canto do cisne supera quaisquer catalogações que poderíamos arriscar acerca da sua arte para entregar a obra fatalista definitiva. Encerrada a discussão, eu fui sorteado para escolher o filme que será debatido no próximo encontro, com uma única condição: deveria ser de horror. Não demorou muito para o título saltar à minha mente: I Walked With a Zombie (1943), de Jacques Tourneur, o qual eu ainda não havia tido a oportunidade de assistir. Para além do gênero imposto, a minha escolha se deu pelo fato de ambos os longas-metragens ...