Tourneur, entre o terror e o admirável
Como expressar a beleza dos filmes de Jacques Tourneur para aqueles que ainda não experimentaram o poder encantador deles? São filmes discretos, que nos falam com um tom confidencial. No entanto, eles mantêm um brilho hipnótico muito tempo depois que suas reviravoltas desaparecem de nossas memórias. Talvez porque a ambição secreta do contador de histórias fosse imensa: nos pegar pela mão e nos conduzir até o limiar do além-mundo. Nos limites do indizível. O que ele esperava de sua arte: nada menos do que sugerir o invisível. Nascido e falecido na França, alimentado pela cultura francesa, Tourneur fez a maior parte de sua carreira nos Estados Unidos. Mas sua obra é muito fascinada pelo desconhecido e pela ambiguidade para não transbordar as duas culturas. Ela desafia a tradição cartesiana: o real é muito complexo para ser apreendido e, mais ainda, explicado racionalmente. E ela ignora o moralismo anglo-saxão: a avaliação moral dos atos é tão aleatória que desencoraja qualquer maniqueísm...