Cineclube Sganzerla apresenta: Sem origem, muitos destinos
O Cineclube Sganzerla colocará em perspectiva as obras dos cineastas Howard Hawks e Michael Mann em ciclo de filmes que examina a motivação humana. A programação, intitulada Sem origem, muitos destinos, questiona o que leva as personagens a agirem, ao mesmo tempo em que aprecia a maneira como elas se movem em direção aos seus propósitos. Os encontros virtuais serão realizados via Google Meet, entre os dias 29 de março e 12 de abril. Clique aqui e inscreva-se para participar.
Leia abaixo o texto de apresentação da curadoria:
Sem origem, muitos destinos
Por André Ramos
Apesar das diferenças de tempos e de formas, alguns cineastas parecem se colocar as mesmas perguntas: o que move os homens? Não só uma pergunta com relação à sua motivação, como também relativo ao seu aspecto físico. Hawks pergunta e a responde de forma musical: os seus personagens que entram e saem de quadro, a tentativa incessante de restituir o orgânico ao fabricado. Mann mais pergunta do que responde: a contraposição entre a cidade e os homens que a movimentam, em outras palavras, a lacuna fundamental entre sociedade organizada e os homens que a organizam.
Apesar de ambos terem diferentes abordagens para esse questionamento, outra coisa os une: seus personagens são opacos, turvos e movidos à um ideal ainda não exatamente resolvido. No presente ciclo, através de três sessões duplas, iremos de encontro ao que existe de comum aos cineastas, mas também (e talvez, principalmente) ao que os define enquanto vozes individuais. O que existe enquanto prolongamento de Hawks em Mann, o que existe de puramente Manniano.
The Insider e His Girl Friday ambos questionam a responsabilidade do jornalista e com a sua interferência nas notícias produzidas. Em Mann, a comédia existe dentro do thriller e em Hawks, o thriller dentro da comédia.
Em To Have and Have Not e Thief, tanto Bogart como Caan são movidos por um objetivo: sair daqui. Seja onde for o outro lugar que não o “aqui”. Filmes sem descanso, cuja constituição de uma estabilidade é forjada no magma da instabilidade.
A aproximação entre Red Line 7000 e Ferrari é mais escorregadia. Apesar de ambos se tratarem de filmes de corrida, o filme de Mann vai buscar o elemento da adrenalina (ou da tentativa de impor uma espécie de poder sobre a natureza/espaço) e o de Hawks vai na contramão (com o perdão do trocadilho) para buscar um filme onde drama acontece quase que unicamente fora das pistas, somente dentro dos apartamentos de veraneio que margeiam os locais onde as corridas acontecem.
Seja dentro das redações jornalísticas ou das pistas de corrida, o cinema dos dois cineastas continua a nos mover em direção a outros destinos.
Programação:
29/03/2026 | 16h – Conversa sobre His Girl Friday (dir. Howard Hawks, 1940) e The Insider (dir. Michael Mann, 1999)
05/04/2026 | 16h – Conversa sobre To Have and Have Not (dir. Howard Hawks, 1944) e Thief (dir. Michael Mann, 1981)
12/04/2026 | 16h – Conversa sobre Red Line 7000 (dir. Howard Hawks, 1965) e Ferrari (Michael Mann, 2023)

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